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A
REBELIAO ESPIRITUAL
Mani Alvarez
Os
sinais na Terra se mostram claros: de um lado, as forças do mal
manipulando as consciências e transformando os seres humanos em
robôs, fantoches, máquinas que apenas obedecem as ordens
da hipnose coletiva dos meios de comunicação, da educação,
da cultura. Do outro, as forças do bem que comandam ações
corajosas de rebelião contra essa ditadura do mal, a opressão,
a injustiça social. Sem dúvida, algo está se movimentando,
e isto é uma evolução espiritual.
Inspirada num texto recentemente canalizado por Ramathis, do lendário
Hermes Trismegisto, encontrei o elo que faltava para compreender a inércia
que parece ter tomado conta de muitos espiritualistas modernos convictos,
imersos numa espécie de hibernação inconsciente de
que basta usar técnicas alternativas de relaxamento, yoga, meditação,
para prover o crescimento espiritual. A verdade é que isso não
basta. Há algo muito mais profundo e decisivo para que possamos
realmente entrar no ciclo evolutivo da espiritualidade.
Segundo as palavras de Hermes, precisamos compreender que evolução é ago
que nos lança para além do meramente humano. Nessa linha
de raciocínio, a perspectiva trans-humana é um estado do
ser, um estado existencial que precisamos desenvolver, para que possamos
nos alinhar com as mudanças genéticas que estão ocorrendo
em nosso corpo de energia. Essa perspectiva implica, em primeiro lugar,
uma visão mais crítica e abrangente do contexto sócio-político
do mundo contemporâneo. Toda a crise que estamos vivendo atualmente é o
resultado de mecanismos de comunicação social que são
veiculados pela TV e pela mídia globalizada, da educação
que recebemos e transmitimos aos nossos filhos, do tipo de cultura que
valorizamos e repetimos cegamente, das ideologias políticas e do
sistema econômico que nos escraviza a um consumismo cada vez mais
voraz e destruidor.
Vamos pensar: tudo isso serve a quem? Beneficia a quem? Há uma força
global invisível que nos governa através da tecnologia, do
sistema financeiro e político, visando cada vez mais riqueza, poder
e controle. Essa invisibilidade é assustadora e gera medo nas pessoas,
que se vêem impotentes, submissas e sem recursos para reagir. Assim,
enfraquecidos, voltamos a ser uma raça de humanóides inconscientes,
inconsequentes e fáceis de serem manipulados.
Enquanto alguns buscam o prazer substitutivo de um consumismo fascinante,
hipnótico e sedutor, outros buscam saídas ilusórias
pela via de um espiritualismo delirante, fundamentalista e muitas vezes
dogmático, enquanto uma minoria escolhe práticas alternativas
gratificantes e saudáveis, como a yoga, a meditação,
as técnicas de relaxamento. Tudo isso expressa muito mais a angustia
e a inércia na alma do ser humano, do que um verdadeiro e coerente
compromisso com a revolução que representa a consciência
espiritual.
Hermes insiste que é preciso compreender que o conceito de consciência
espiritual não é algo ligado à fé ou a religiosidade.
Numa perspectiva trans-humana, ela é a matriz que dirige todos os
processos bioquímicos, físicos, geométricos e matemáticos
do universo. Nós, seres (ainda) humanóides, ainda presos
a uma genética biológica, a uma área geográfica,
a uma cultura específica, não assumimos nossa verdadeira
identidade de Seres Cósmicos, parte do universo e do Plano Divino.
Para que isso aconteça, precisamos avaliar os conceitos evolutivos
que nos foram transmitidos, reconhecer que temos nos submetido à velha
ideologia da sobrevivência do mais astuto ou do mais forte, e assumir
plenamente que nossa origem é Divina. Só estamos aqui na
Terra, encarnados num corpo biológico e mortal, por uma necessidade
evolutiva, mas não somos terrestres, não pertencemos a este
mundo. Somos pesquisadores da evolução e transformação
espiritual. A essência que reside em nosso interior é divina,
imortal e indestrutível.
A compreensão dessa lei nos devolve a consciência de que nada
temos a temer, que não precisamos de artifícios para combater
as forças obscuras do mal, que está na hora de acordar dessa
hibernação espiritual e ativar a perspectiva trans-humana
de nossa evolução. Isso nos devolve um estado de Ser, Sentir
e Saber, que permite a compreensão de que somos todos irmãos
e todos temos a mesma origem divina. Não existem fronteiras geográficas,
sociais, políticas ou econômicas quando compreendemos que
tudo isso foi criado para nos confundir e confinar energeticamente no paradigma
da separatividade, da discórdia, da desunião.
Estamos entrando numa nova era e isso não é um mero slogan
espiritualista. Isto significa que chegou o momento de vivermos a espiritualidade
com um senso de que estamos fazendo política, aquela que congrega
forças de coesão e colaboração fraternal, que
ativa o princípio cósmico da harmonia e do serviço
desinteressado na coletividade, que expande a consciência para além
das fronteiras do individualismo e dos interesses pessoais. Isso é a
verdadeira subversão de valores. Essa é a rebelião
espiritual. Esse é o grande poder do espírito que somos.
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