Mani Alvarez
Cresci cercada
pelas montanhas de Minas Gerais, e talvez isso tenha determinado
uma certa ânsia
por horizontes mais vastos e por uma absoluta liberdade no pensar.
Além do amor á minha família, sempre fui apaixonada
pelos livros e pelas letras, e com esses dois instrumentos de navegação
tenho velejado no espaço e no tempo, conhecido pessoas e lugares,
culturas e histórias.
Meus filhos já estavam crescidos, quando comecei a fazer faculdade.
Faço parte daquela geração de mulheres que lutou
ferozmente para conquistar seu espaço no mundo. Tive o privilégio
de viver naquele período de efervescência político-feminista
dos anos 80, e posso dizer que o ardor de nossos ideais foi o combustível
para muitas de nossas visões e utopias hoje concretizadas.
Meu percurso acadêmico passou pela Filosofia, na Puc de Campinas,
e depois por um Mestrado e Doutorado na Unicamp, em Filosofia da Educação.
Me interessei pela psicanálise e durante quase uma década
estudei Freud e Lacan. Depois, fui viver por algum tempo em Paris,
onde estudei na histórica Sorbonne, hoje Université Paris
VII. Foi quando tive a felicidade de conhecer mestres famosos da filosofia
e psicanálise da década de 90.
Em 1997 encontrei um curso que mudou minha vida. Depois de vagar
por muito tempo com minha razão itinerante, encontrei, no paradigma
Transpessoal, uma nova visão de mundo mais vasta e abrangente.
Pude experienciar, não mais com a razão, mas com meu
ser inteiro, a unidade, a interconexão entre todas as coisas,
e compreendi finalmente aquilo que os místicos sempre afirmaram:
tudo é um...
Comecei a estudar a psicologia Transpessoal e vi que havia muito
a ser feito. No Brasil, além de pouco conhecida, sofria a repressão
silenciosa dos “doutos” e o olhar crítico do conservadorismo
acadêmico. No entanto, pesquisas e teses estavam chegando aos
montes às bancas universitárias, demonstrando sua aplicação
na área da saúde, da educação, da psicoterapia,
e compreendi que o que nos impede de ver é uma atitude interna,
e não as evidências externas.
Hoje presenciamos uma nova atitude em relação à Transpessoal,
que começa a ser vista como um método prático
de desenvolvimento de aspectos até então quase desconhecidos
de nosso ser: os estados de expansão da consciência, a
espiritualidade, os fenômenos chamados ‘paranormais’,
etc.
Com isto, abre-se
um horizonte muito mais vasto para a psicologia, e uma nova era de
integração entre corpo, mente, sentimento
e espírito começa a desabrochar.
mani@transpsi.org.br
Geraldino Alves Ferreira Netto
Meu encontro com a psicanálise aconteceu no mundialmente famoso
ano de 1968. O primeiro ano no Curso de Psicologia da Universidade
Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, foi, portanto, tumultuado.
Os alunos viviam quase exclusivamente reunidos no Diretório
Acadêmico, discutindo as estratégias de protesto contra
a invasão quase cotidiana de militares no campus. Durante um
semestre, quase não houve aulas, porque era urgente participar
também das passeatas.
Mas a principal invasão era ideológica, e partia do próprio
Curso de Psicologia, excessivamente centrado na visão behaviorista,
e na crença de que as experiências de laboratório
com ratinhos eram determinantes na formação do psicólogo.
Além destes camundongos branquinhos e limpos, tínhamos
que lidar também com sapos, nas aulas de Fisiologia. Era difícil
encarar um prato de comida ao sair do laboratório. Consegui
sobreviver.
Eu pensava que ia estudar Freud desde o início do Curso. Mas
só ouvi falar dele algumas vezes, tendo que estudá-lo
como autodidata. Recém-formado, mudei-me para São Paulo.
Dois anos depois, procurei um mestrado em Psicologia Clínica
na PUC-SP e na USP. Não havia. Só encontrei o que procurava
na PUC de Campinas. Matriculei-me, escolhendo, como área de
concentração, a psicanálise. E dei de cara com
Lacan, quando, finalmente, pude conhecer Freud através do mestre
francês.
Pelo fim de minha
análise pessoal, comecei a clinicar. Trabalhei
também no magistério, por uns quinze anos, como professor,
Chefe de Departamento e Coordenador do Curso de Psicologia do Instituto
Metodista de Ensino Superior, em Rudge Ramos (ABC). Hoje, passados
quase trinta anos, continuo estudando Freud e Lacan. Em algumas instituições
de formação psicanalítica vivi momentos muito
fecundos e agradáveis. Em algumas outras, assisti a lutas fratricidas
pelo poder e pelo prestígio. Destaco a ‘Associação
Livre’, uma instituição que sempre fez jus ao nome,
onde compus o trio de psicanalistas lacanianos, junto com Márcio
Peter de Souza Leite e Oscar Angel Cesarotto. Trabalhamos juntos e
em harmonia por mais de 25 anos
Por motivos alheios à nossa vontade, o trio acabou se dispersando,
no final de 2006, e eu decidi morar e clinicar exclusivamente em Campinas,
onde, aliás, já mantinha um segundo consultório
há quinze anos. Hoje, coordeno grupos de estudos em Campinas
e Indaiatuba. Em São Paulo, minha única atividade é o
trabalho como professor convidado do Curso de Pós-Graduação
em Semiótica Psicanalítica, na PUC.
Durante todo esse tempo, nunca tive dúvidas quanto a meu ofício
de psicanalista. Minha última experiência de transmissão
da Psicanálise começou há um ano e pouco. É o
Curso de Psicanálise à distância. Nunca imaginei
dar aulas sem ver a cara dos alunos. Mas é gratificante enviar
apostilas para brasileiros no Exterior e em todo o território
nacional. Em geral, trata-se de um público que não tem
acesso aos grandes centros, mas que tem fome de psicanálise.
Acrescento que
me interessei bastante também por cinema, tendo
escrito um livro sobre ‘Wim Wenders, Psicanálise e Cinema’,
publicado pela Editora da Universidade São Marcos, de São
Paulo. Tenho recebido convites para comentar e debater sobre filmes,
em sua interface com a Psicanálise.
geraldinoafn@uol.com.br