![]() |
|
Rio de Janeiro , 23 de junho de 2009 Cara Mani,
Os dias em que estive entretida lendo a apostila foram ótimos momentos de elucidação e confirmação para mim. Você sabe que nos últimos anos profissionais estive envolvida com a Unipaz – FHB , o acompanhamento ao CIT, a pós com o Roberto. E nesse ano de 2008 pesquisei os livros dos autores que eles citam : Durckheim, Gilberto Durand, Nicolescu, Wilber, Theilhard de Chardin , e tantos outros não é? Foi assim que adquiri exemplares de Durckheim: O Zen e Nós, O Hara, O Mestre Interior, o Culto Japonês da Tranqüilidade – você sabe que só o Zen e Nós está sendo re-editado, então descobri esses outros no site da estante virtual, vou pesquisando e aí aparece um e outro. Também me deparei com o livro de Vera Khon – Terapia Iniciática Hacia al Núcleo Sagrado. Você sabe que Vera Khon agora com 97 anos esteve com Durckheim e Maria Hippius na mesma época que Jean-Yves Leloup na Floresta Negra. Soube pelo Roberto (Crema) que havia uma pessoa que estudava com Vera e acabei trazendo essa pessoa que é a Theresa Coimbra da UNIPAZ de Brasília, para dar um workshop no Rio de Janeiro. Também adquiri pela TV SUPREN de Brasília 7 DVDS sobre o seminário de Jean-Yves : TERAPIA INICIATICA - DE DURCKHEIM A LELOUP. Então, fazer esse curso vem elucidar e esclarecer mais pontos. Entrei também em contato com Jean Houston , mas ainda é muito precário o nosso encontro. Quanto Joshua David Stone ainda não entrei em contato com ele. Que ótimas referências para seguir estudando. A síntese que faço tão simplesmente antiga ( e vastamente falada na UNIPAZ) e tão nova e cheia de assumição para mim é a de Invocar o Ser para que ele faça a cura. Na Abordagem Reichiana que cursei nos anos 90, falamos do centro energético: CORE. Ele é auto-regulador. O organismo é auto-regulador. SE você desfaz os bloqueios energéticos – com as devidas re-memorações das situações traumáticas – o organismo se refaz. Ele retorna a pulsatibilidade. Eu consigo ver o CORE. É simplesmente uma visão. Uma sensação. Um entendimento. Na abordagem Junguiana – nem tão estudada assim por mim, falamos do centro arquetípico psíco-noetico : O SELF o EU MAIOR ( eu tenderia a colocar o SELF na esfera psíquica e o Eu Maior na experiência noética – mas acho que é minha falta de conhecimento da psicologia junguiana que me faz fazer isso. Na abordagem Transpessoal – nós teremos o Mistério – o Aberto. É com esses conceitos que quero trabalhar agora. Sinteticamente. Gosto de saber que você se preocupou em sinalizar a necessidade de um trabalho pessoal. Essa é uma das primeira lições de Freud. O psicanalista precisaria passar pela sua análise, essa era a melhor maneira de se tornar um analista. E antes de saber que as escolas de mistério falam também isso, aprendi com Freud esse compromisso com meu trabalho pessoal. Hoje em dia no entanto, existe uma corrida para as terapias alternativas, e o tempo de se dedicar ao trabalho sobre si é adiado em favor do trabalho, da projeção social, etc. Se se está bem, pra quê terapia? Não existe tanto mais aquela busca. Existe um imediatismo. Temos a impressão que a ferida sagrada que nos moveu com tanta força para esses caminhos de conhecimento do homem, não mexe mais com a humanidade. Você nos diz que isso é um engano. Que a roda evolutiva continua a girar. Ótimo então, mas vou ter de entender esse momento que estamos vivendo melhor. Ainda estou baratinada com a corrida enlouquecida e sem aprofundamento. Mas os tempos estão mudando e quero olhar com lucidez para esse que estamos vivendo. Acho que estou seguindo o caminho , sou uma terapeuta centrada no outro, que tem essa antropologia desde que começou a trilhar os caminhos da psicoterapia = soma, psique , espiritualidade. Tem alguns autores que me recordam essa questão do automatismo e do viver insconsciente : Gurdjieff e Ouspensky e também Antonio Blay. Fui estudante ávida deles. Antonio Blay fala dessa questão do eu experiência e do eu idéia . Assim teríamos uma idéia de eu de acordo com o que fomos experimentando na vida. Mas o eu experiência é esse eu do AGORA. Do estou sendo. É com ele que devemos contar. E isso bate muito com a Psicologia Budista em que as auto-imagens precisam ser conhecidas, conscientizadas e deixadas de lado. Nos apegamos a idéias de nós. Mas isso nos atrapalha no caminho. EU sou assim, sou assado,,, e no final veremos que somos muitos eus contraditórios - portanto não somos esses eus – somos o centro, o olho do furacão – o sendo – o agora. Mas será preciso despertar. Sinto tremenda dificuldade de convidar o cliente a explorar dimensões que eles não trazem como demanda para o setting terapeutico. Assim me vejo no feijão com arroz da terapia mais vezes do que gostaria. A dificuldade é minha – é um bloqueio mesmo. Como muito o mingau pelas beiradas. Respeito demais as dificuldades do outro, a maneira dele entender, o desejo de focar essa e aquela discussão, e de vez em quando dou um mergulho. As reações são as mais diversas mas é raro chegar ao ponto de um entendimento transpessoal. Entrando nessa questão também, esse bloqueio passa por rejeitar o sofrimento. Difícil é para mim exercer o lugar de quem vai provocar algum tipo de incômodo no outro, quanto mais me identificar com o Mestre como descreve Durckheim em sua apostila. A Psicologia Budista me ensina muito quanto a natureza do samsara – o sofrimento existe. Mas gosto da condução de todo processo iniciático pautado na gentileza e na solicitude – tal como descrevem Yogananda como mestre ( ele é meu mestre). Estou cada vez mais voltada para as rodas do feminino sagrado. Pode ser esse o meu verdadeiro caminho Tudo tem sido um processo não é ? O Novo paradigma tem se imiscuído em minhas entranhas devagarzinho. Nem sempre meu cérebro esquerdo deixa. Praticar a anamnese essencial e as dez orientações do cit é uma arte esquecida na qual tento me concentrar, porém me escapa. Re-encontro nas meditações, nas rodas do feminino, nos mergulhos sintéticos, e de graça pura. Outro dia num ritual xamânico com outras mulheres, fui empoderada como mulher sábia. Isso significa reponsabilidade com o todo. É uma questão para mim. Sendo como Hestia, que cuida do fogo sagrado, como cuidar de todos.... dos clientes... dos amigos... de grupos de mulheres.... da humanidade... como passar meus conhecimentos... e profundas conexões... ????????????????????????????? Bom, vou ficando por aqui senão fica muito longo. Continuo as reflexões....
Abraços Claudia
|