Os três Cs nos Relacionamentos

No inicio a Humanidade vivia em pequenos agrupamentos que os

Antropólogos apelidaram de Povos Caçadores e Coletores, pois eram povos

cuja atividade exclusiva dependia da Caça, Pesca e Frutos que coletavam

pelo Caminho. Eram pequenos povoados nômades de humanos que se

deslocavam conforme as estações, ao acompanharem o movimento

migratório de animais que lhe serviam de alimento. Com o assentamento da

Terra, os Povos fixaram-se ao desenvolverem a Agricultura e Pecuária, era o

Inicio dos Primórdios da Civilização, ao se organizaram de modo a formarem

as primeiras Cidades. Isso trouxe o desenvolvimento da escrita e comércio,

que permitiram as Civilizações legarem suas descobertas por Várias

Gerações. Desta primeira Civilização Organizada que Floresceu, passamos a

chamar de Sociedades Agrícolas, já que sua subsistência e primórdios de

tecnologias desenvolvidas, estavam voltados para o plantio e colheita.


E qual a razão desta introdução? Para explicar um pouco sobre a etimologia

das palavras, isto é a sua Origem. Conforme o passar dos Séculos e

incontáveis Civilizações Antigas e Atuais, muitas palavras novas foram

criadas para traduzirem o sentimento e importância de sua época. Algumas

inclusive acompanharam a nossa era. Por exemplo você sabia que a Palavra

Felicidade, veio do Latim Felicitas e Félix que significam: Fértil, Frutífero,

Afortunado e Florescer. Ou seja é provável que nossos Antepassados

associassem “felicidade” com este processo de Cuidar da Terra, do Preparo,

Cultivo e Semeadura, até o momento mais sublime da Colheita que proviam

suas famílias. Um exemplo de palavra inventada em nossa era, apenas para

complementar, é derivada da revolução tecnológica, a qual fazer um

“Upgrade” seria atualizarmos a tecnologia existente, e agora vemos esta

palavra inclusive sendo utilizada para relações humanas como: “na era da

globalização, profissionais se preocupam com o upgrade de suas carreiras”.


Usando portanto desta Analogia gostaria de discorrer sobre algo que enxergo

como algo simples e marcante de três palavras que servem para toda e

qualquer forma de relacionamento, seja ela pessoal, familiar, corporativa ou

profissional. Vamos então aos 3 C’s dos Relacionamentos que são em

minha Visão. O “Cultivar”, o “Cativar” e por fim o “Cuidar” estes 3 C’s dos

Relacionamentos se apurarmos a nossa visão, estão em tudo e por toda

parte.


Vejamos abaixo como, o 1o.“C” de “Cultivar” é como tudo na Vida, que

surge desde Objetos Inanimados, a Frutos, Pessoas e Relacionamentos.

Nada nasce ou se forma sem antes um intenso Cultivo, que resulta em uma

ação que pode ser a de Semear a Terra, de onde a palavra “Cultivar”

realmente deriva em seu significado originário, ou do Cultivo de uma

Amizade, ampliando e abstraindo um simbolismo mais profundo. Eu falei

sobre objetos inanimados também, pois bem um lápis ou mesmo o papel sob

o qual este texto foi impresso, são partes de um intenso cultivo de madeiras

reflorestadas, isto é árvores. Como percebemos o Cultivo está por toda parte.


Falemos agora sobre o 2o.“C” o de “Cativar”, esta palavra em seu sentido

lato significa “aprisionar ou acorrentar” mas em se tratando de

relacionamentos humanos ou não, expressa um desejo em promover “laços

de amizade” com uma pessoa ou mesmo animal. Ao cativar alguém estou

estabelecendo um vinculo no qual o outro se liga a mim por uma afinidade

estabelecida entre nós. Foi deste Cativar que Animais antes Selvagens como

Lobos e Cavalos, se coligaram a Humanidade. Deste relacionamento de

amizades formado é que nos tornamos úteis uns aos outros, trata-se de uma

troca onde um sente a necessidade da presença do outro para sentir-se mais

completo, ou diríamos agregar valor?! Assim se faz impar que em nossos

relacionamentos nos preocupemos se estamos “cativando” as pessoas ao

nosso redor, e se elas estão se sentindo “cativadas” por nossa presença.

Sem o “Cativar” sem este elos da corrente que nos prende uns aos outros,

passaríamos pela vida insensíveis as emoções e necessidade de vínculos

afetivos que formam o conceito que entendemos por família, que no gênero

humano se expande para além das fronteiras biológicas e que são a razão de

nossa evolução e adaptação. Ou seja é a capacidade de cooperarmos que

sem o “Cativar” nos seria praticamente impossível de nos relacionarmos.


Enfim o 3o.“C” é o do “Cuidar” seja da Terra, Plantas, Animais e até mesmo

nós Humanos. Cujo relacionamentos precisam deste Cuidado essencial para

se manterem, poderíamos até dizer que o “Cuidado” é a base de tudo o que

existe, inclusive o amor que toca e une as formas, que as produzem ou

reproduzem. Com o “Cuidado” fechamos o Ciclo ou Circulo iniciado pelo ato

de Cultivarmos e após Cativarmos. Sem Cuidado nada na Vida ou na Terra

jamais poderia Florescer e nem mesmo a “Felicidade” seja em Sentimento ou

Palavra se quer existir. O Cuidado é infinito e eterno, pois acompanha a

renovação de todos os ciclos de vida e relacionamentos, sem o Cuidado, a

Terra adoece, a Semente fenece e o Humano padece. O Cuidado é esta

manutenção intrínseca que nos acompanham em todas as nossas ações e

relações. Muitos de nós sabem Cultivar e Cativar os relacionamentos, que

em linguagem atual no meio Corporativo chamamos de “Networking”. Porém

se esquecermos do Cuidado, da manutenção destes relacionamentos, sejam

eles profissionais ou familiares, tendem a desaparecer como a Flor que

desabrocha, mas que logo murcha sem água e adubo, ou “sem cuidados”.


Portanto fica aqui a dica para de modo simples melhorarmos nossos

relacionamentos com as pessoas, amigos, empresa e com o próprio mundo

ou planeta que habitamos. O Cuidado como conversamos resume dentro de

si as etapas do “Cultivar e Cativar” sem nos esquecermos de sua

“Manutenção Vital” ou tudo aquilo que construímos, plantamos e

relacionamos será perdido. Que possamos a partir de agora olharmos para

dentro de nós mesmos, observando quais são as áreas da nossa vida que

estão requerendo de nós, mais Cuidados. E se desejar e puder, eu o convido

para em casa refletir e escrever ao menos uma Meta com Prazo (pode ser

mais de uma desde que tenha um prazo e você realmente a cumpra) para

acontecer, em cada uma das suas 7 Saúdes que são: Física, Emocional,

Intelectual, Profissional, Social, Espiritual, Financeira.

Exemplo: Saúde Física a partir de hoje farei caminhadas diárias de 20”.


Diálogo da Raposa e o Pequeno Príncipe...

“E foi então que apareceu a raposa:

– Bom dia – disse a raposa.

– Bom dia – respondeu educadamente o pequeno

príncipe, que, olhando a sua volta, nada viu.

– Eu estou aqui, – disse a voz, debaixo da

macieira...

– Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...

– Sou uma raposa – disse a raposa.

– Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste...

– Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.

– Ah! Desculpa – disse o principezinho. Mas, após refletir, acrescentou:

– Que quer dizer "cativar"?

– Tu não és daqui – disse a raposa.

– Que procuras?

– Procuro os homens – disse o pequeno príncipe.

– Que quer dizer cativar?

– Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam.

É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de

interessante. Tu procuras galinhas?

– Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos.

– Que quer dizer “cativar”?

– É algo quase sempre esquecido – disse a raposa.

Significa "criar laços"...

– Criar laços?

– Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto

inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de

ti. E tu não tens necessidade de mim.

Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para

mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...

– Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam.

Todas as galinhas se parecem e todos os homens também.

Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.

Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros

me fazem entrar debaixo da terra.

Os teus me chamarão para fora da toca, como música.

E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo?

Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me

lembram coisa alguma. E isso é triste! – Mas tu tens cabelos dourados.

E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo, que é

dourado, fará com que me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no

trigo...

A raposa calou-se e observou muito tempo o príncipe:

– Por favor, cativa-me! disse ela.

- Eu até gostaria – disse o principezinho – mas eu não tenho

muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a

conhecer.

– A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa.

– Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.

Compram tudo já pronto nas lojas.

Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.

Se tu queres um amigo, cativa-me!

– Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.

– É preciso ser paciente – respondeu a raposa

– Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva.

Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada.

A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.

Mas cada dia, te sentarás um pouco mais perto...

No dia seguinte o príncipe voltou.

– Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa.

– Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a

ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais me sentirei feliz! Às quatro

horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!

Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da

partida, a raposa disse:

– Ah! Eu vou chorar.

– A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer

mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

– Quis – disse a raposa.

– Então, não terás ganho nada!

– Terei, sim – disse a raposa – por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou: – Vai rever as rosas. Assim, compreenderás que a

tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te

presentearei com um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas:[...]. “ E ao voltar dirigiu-se à raposa:

– Adeus... – disse ele.

– Adeus – disse a raposa.

– Eis o meu segredo:

É muito simples: só se vê bem com o coração.

O essencial é invisível aos olhos.”

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”


Texto: SAINT-EXUPÉRY, Antoine de.

Livro:. O Pequeno Príncipe

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