A História da Abóbora

Atualizado: Set 4

Na história da Cinderela, a fada madrinha diz : "Vá ao jardim e traga-me uma abóbora." Cinderela foi imediatamente colher a mais bela que encontrou e a trouxe à sua madrinha, não podendo adivinhar como essa abóbora poderia levá-la ao baile. Sua madrinha abriu um buraco na casca da abórbora e tirou as sementes, bateu nela com sua varinha mágica e a abóbora se transformou numa bela carruagem dourada.


Nas festas do Halloween, também é costume esvaziar as abóboras e fazer enormes cabeças vermelhas, com olhos e uma boca enfeitada de dentes pontudos, dentro das quais coloca-se uma vela. As crianças, fantasiando-se de esqueleto, com os ossos pintados de branco sobre uma roupa preta, escondem seus rostos numa abóbora esvaziada.


Essas figuras grotescas representam na tradição popular fantasmas exorcizados, pois Halloween que vem de hallow, que significa “consagrar, santificar", e se festeja na véspera do dia de Finados, a festa dos mortos. Antigamente pensava-se os mortos voltavam à terra nessa data.


Ora, a volta dos defuntos, que repousam sob a terra junto com as sementes que mais tarde germinarão, anuncia, na entrada do inverno, a promessa do renascimento primaveril. Por isso, na Bretanha antiga as abóboras guardavam uma relação com a Ressurreição; dizia-se que os grãos que eram semeados na sexta-feira santa davam pés de abóbora grandes como carvalhos.


Se a abóbora é o símbolo da abundância e prosperidade, não é apenas porque ela é o maior dos frutos da terra mas porque ela está cheia de inúmeras sementes, embriões de uma vasta descendência. Esta é a razão pela qual a consideravam, na China, como o primeiro dos legumes, o imperador dos vegetais.


Os ‘tai’ do norte do Laos chegavam a ver nas abóboras, presas pelo talo que formava o eixo do mundo, o lugar de suas origens. Esses frutos continham todas as raças humanas, todas as variedades de alimentos e o texto de todas as ciências secretas. Fonte de vida, a abóbora era por isso o símbolo da regeneração e para os taoístas suas sementes eram o alimento da imortalidade. Elas deviam ser consumidas na primavera, quando predomina o yang.


O mais curioso é que não se conhece com certeza a pátria das cucurbitáceas (abóboras). Segundo as hipóteses mais recentes, elas teriam sido cultivadas há muito tempo na América: a abóbora-menina (Cucurbita maxima) seria originária do Brasil, a abóbora-moranga (Cucurbita pepo) do México; quanto ao cabaceiro-amargoso (Lagenaria leucantha), foi por vezes encontrado em grande quantidade, nos túmulos peruanos pré-colombianos.


Porém não se sabe como nem quando as cucurbitáceas chegaram à Europa e muito menos de que maneira o cabaceiro foi cultivado na China antes do século I a.C. As rotas que ligavam o Extremo Oriente com o Novo Mundo talvez sejam mais antigas do que o supomos.

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